A fronteira






















Uma distopia recorrente seria a ausência de humanismo de um arquitecto. Esquecer-se de construir, embora o verbo possa ser excessivo, na dimensão de uma existência. O espaço consolida esta problemática estrutural: a génese ‘molecular’ de uma vivência comprova-se a maior parte das vezes em memórias, umas boas, outras menos boas, e isso nem sempre depende do espaço físico. Volto à distopia para reflectir sobre o não no espaço. O não-projecto, o não-existencialismo, a não-arquitectura, e o esforço de parametrizar esses ‘nãos’ em sins, através da definição dada por Augé sobre não-lugares. Uma definição solene, essa linha ténue que separa os lugares dos não-lugares, pode ser a existência amorfa destes últimos. Amorfa porque sem função, porque distópica. Partindo de uma pré-existência com algum sentido, esse (não) espaço perde a sua identidade, quebrada pela recorrência do uso, e deixa de existir como tal. Quando se refere a não-lugares, Augé cita a linha de fronteira de um país como um dos acessos privilegiados a essa definição. A sua função não é comprometida, embora seja virtual. É verdade que a arquitectura que resulta baseia-se na interpretação e na consciência. Numa utopia materializada que auxilia o viver. E isso é tudo menos virtual. Ou (i) material.



 

Quantcast