O 'axioma' arquitectónico

Quando se pensa num espaço urbano, numa cidade no seu todo, num lugar privado no interior de uma casa, valida-se uma ideia. O discurso que lhe deu origem predomina como matéria de análise e usufruto. Como processo que justifica a sua aceitação ou rejeição, e que se formaliza na capacidade de encontrar um desígnio, um objectivo conciliador para esse espaço-lugar. Isto sucede porque se torna familiar. A propósito desta familiaridade, o arquitecto Alexandre Alves Costa, expressa-se assim: «- o arquitecto da casa do homem e da cidade que, segundo os filósofos, é como uma grande casa, imagina as coisas com razões certas e maravilhosas e dentro da regra. Possui conhecimentos das coisas melhores e excelentes para, com o máximo de respeito pelas aspirações que fazem nascer as instituições, produzir espaços que ofereçam aos homens a possibilidade de se moverem livremente. - A sua obra deve ser disposta por forma que nada impeça o seu uso, adaptando-se a ele com grande dignidade, de maneira que cada coisa seja posta no lugar e que tenha o que lhe é próprio e necessário, construída segundo as proporções e as regras ditadas pela natureza e pelo gosto.» Isto porque a linguagem arquitectónica depende da 'linguagem' do seu autor. E esta linguagem, que muitas vezes compreende aceitação e inclusão de circunstâncias diversas, 'alimenta-se' de um trilho singular que faz parte dos 'elementos do ofício': o que o arquitecto apreende, estabelece como seu, o que produz, o que lê, redige uma 'regularidade' e um discurso assente. Denso, articulado, como a sua interpretação. Complexo, por vezes carente de uma actividade física, porque os processos que definem um resultado nem sempre se podem enquadrar numa memória racional, embora dispostos em planos (desenhos). Isto para dizer, sucintamente, que a palavra escrita construída e o anseio espacial racionalizado no desenho, na opção estética, na busca da arquitectura, estão dependentes um do outro, e que uma certa fluidez de ambos reclama uma estreita e conscienciosa relação. (Textos Datados, Alexandre Alves Costa, Edições do Departamento de Arquitectura -Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Debaixo da Telha, Série A, n.º 2, 2007)

 

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