0-2

No rescaldo do jogo de ontem, entre o FCP e o Benfica, em que o segundo cilindrou o primeiro com dois secos, registo com agrado palavras do senhor Jesus: «Estamos a fomentar outros jogadores», e, no mesmo âmbito, «o Fábio é um jogador com muita adrenalina e muita rotação». Se no primeiro caso, Jorge Jesus refere-se ao facto de querer ter diversas hipóteses para cada posição na equipa, sobretudo depois da saída de David Luis para o Chelsea, no segundo, o teor é mais fino e merece interpretação. Fábio Coentrão, cuja expulsão foi um erro clamoroso, correu desalmadamente, e caiu também com alguma 'alma', facto que lhe valeu o brinde vermelho, 'porta da rua serventia da casa'. Foi da adrenalina, que é como quem diz, aparte os fingimentos próprios do jogo - que se percebem claramente quando estamos no estádio -, o rapaz agita bastante a cabeça quando quer sacar um cartão contra o adversário. Que venha a equipa médica, que estou aqui a morrer, enquanto rodo para um lado e para o outro com a gravidade. É mesmo assim.  O pobre coitado ainda conseguiu levar uma bofetada, um soco e um encosto de um denominado Varela que estava com a pica toda para por o olho negro em alguém, mas o cartão não saiu. Ele rodou em diversos eixos até, mas o cartão ficou na cartola negra do árbitro. Ah, que grande intervalo deve ter havido lá para os lados da sala arbitral, com champanhe, copos e promessas. É que até metade da segunda parte, parecia existir um foco de 'esforço', chamemos-lhe assim, para virar o jogo numa determinada direcção. Ainda bem que o Benfica começou a jogar melhor com dez do que com onze, expulso que foi o especialista em rotações, e que bem correu. É a marca dos campeões. Para quê saber falar, oh Villas-boas? Serviu-te de muito, a articulação narrativa. Aprende com o mestre, pá: 'fomenta' e manda 'rodar'. A adrenalina fará o resto.

 

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