Casa com vista sobre o mundo













O Big Sur é uma região na Costa da Califórnia, EUA, colado ao Oceano Pacífico. No início dos anos quarenta do século passado, era um lugar que atraía o homem de negócios mais sombrio e endinheirado, que ali ia a banhos termais depois de (ou a) percorrer o mundo, o perturbado idiota convencido de que seria escritor, ou o visitante mais casual em busca do contacto com um autor em plena ascensão, que se tinha mudado de Paris: Henry Miller. O homem que decidiu explicar em livro a densidade daquela região, que potenciou com um enlevo muito especial uma aspiração colectiva da comunidade ao carreirismo literário, à busca da inspiração e ao desejo de encontrar a felicidade longe do materialismo. Portanto, havia pobreza fomentada entre os artistas, que Miller recebia em casa, procurando ir em auxílio dos visitantes erráticos que ansiavam por certezas, quadros (que também pintava), atenção ou inspiração. Embora a maior parte, todavia, desaparecesse sem deixar rasto e obra manuscrita. Miller ouvia. A estrutura narrativa é claramente autobiográfica, tergiversa entre o registo diarístico, o relato de reportagem e a reflexão ensaística sobre questões comezinhas e profundas, as pessoas, e a capacidade de encantamento do lugar. Com apontamentos de algum humor e ironia sobre o modo de se escrever. A clareza da voz cativa. Esta reedição (de 1957), segue a publicação dos ‘trópicos’ pela mesma editora. Apresenta o homem por detrás do autor Miller, e denuncia o modo como a sua escrita evoluiu. É um catálogo para gerações futuras.

Título: O Big Sur e as Laranjas de Jerónimo Bosch

Autor: Henry Miller
Editora: Presença
Tradução: Jorge Freire
Classificação: 5


Prós: Excelente tradução; oportunidade da edição; multiculturalidade das reflexões e registo não contido
Contras: Não tem.

 

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