Em viagem
















A literatura de viagens é um género que, digamos, fez carreiras em Portugal na última década. Antes de implantar-se por cá, no sentido de autores portugueses conseguirem ver as suas histórias impressas no papel, lia-se a Grande Reportagem e as traduções de viagens realizadas por estrangeiros, ou no idioma original. Agora, felizmente, há muitos escritores e jornalistas a viajar e a deixar a sua impressão sobre os lugares por onde passam. Uma impressão cada vez mais específica, reflectindo um ponto de vista muito pessoal e, por isso, de assinalável interesse, porque diversificado. Depois das viagens de Alexandra Lucas Coelho (México e Afeganistão), Mark Twain (Europa e Jerusalém), Tiziano Terzani (Extremo Oriente), Julien Green (Paris), Jan Morris (Veneza), Alberto Moravia (Índia), Brendan Behan (Nova Iorque), Agatha Christie (Síria), Annemarie Schwarzenbach (Pérsia), Peter Carey (Japão) e Manuel João Ramos (Etiópia), a editora Tinta da China, na colecção dirigida por Carlos Vaz Marques (jornalista, autor de belíssimas entrevistas realizadas para a TSF) -, propõe aos seus leitores um novo título: «Jerusalém, Ida e Volta», por Saul Bellow. Bellow é um autor de referência, num fio condutor e de pensamento que liga a viagem com a reflexão literária romanceada, e um pouco de filosofia. Fora dos parâmetros ditos comuns da literatura, mas de leitura obrigatória.

 

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