A culpa não morre solteira













Numa sociedade desestruturada, a história de um espião que todos odeiam é um facto assumidamente repetitivo. Depois da queda do Muro de Berlim, do saque do Estado russo pelos bem posicionados homens do poder, eis senão quando, cresce dentro de portas um homem, entre muitos, que, apesar das origens humildes, consegue evoluir na carreira com o patrocínio do núcleo duro do Kremlin. Alexander Litvinenko é o espião que depois da neo-liberalização da economia russa, deixa de ter um emprego para a vida, matando o tempo a informar-se sobre outros e a conspirar contra Vladimir Putin. As razões da mudança são amplamente explicadas, para uma compreensão da relação entre a corrupção, o interesse egoísta de alguns homens, políticos e outros, e a teia criada para oprimir os ignorantes. A história é contada como uma reportagem romanceada, com recurso a diferentes acções para avançar no rumo furtivo de uma morte com uma ínfima partícula de polónio. Este é o motivo fundador. Por ter sido o primeiro acto terrorista realizado no Ocidente daquela maneira. Porque uma parte do mundo e do veneno propalado pelo ‘eixo do mal’ ficou à vista no dia 1 de Novembro de 2006. O detalhe sobre como a economia foi alimentada pela Máfia, política e pelo alto comércio dos oligarcas, é apenas um luxo que merece releitura.


Título: O Último Espião – Alexander Litvinenko: Uma verdadeira história de espionagem, traição e assassínio
Autor: Alan S. Cowell
Editora: Livros de Hoje
Tradução: Maria do Carmo Romão
Classificação: 4

Prós: Investigação; estrutura narrativa e cronológica
Contras: Algumas gralhas

 

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