Eduardo Souto Moura - Pritzker 2011

























Fotografias de © Gisela Schmoll, arquitecta


É fácil gostar da obra de Souto Moura. E da pessoa. Entrevistei-o para o «Lisboa 2050», uma tese de mestrado realizada por 50 pessoas (em 2007), cuja edição nunca viu a luz do dia. Assisti a algumas conferências dadas e debates nas incursões ao Porto, para conhecer melhor a cidade. Excursões de faculdade sempre acompanhadas de belíssimas degustações (francesinhas, entre outros pratos). Quando o mestre vinha (e ainda vem) a Lisboa, em geral, para participar em seminários internacionais de arquitectura, fê-lo sempre com a reverência de toda a gente que assistia. Acessível, culto, é um profissional generoso, que fala com rigor de arquitectura, do espaço que habitamos, do espaço que define quem somos, como somos, e de que maneira queremos ser. Ensina, como poucos, sendo afável, racional e directo, e ao fazê-lo reflecte sempre sobre a capacidade de construir um lugar, que confere à paisagem uma forma de se moldar através da mão humana. A casa de cima, em Baião, é claro exemplo disso. Uma ‘pequena grande casa’. Um exemplo de como se pode integrar um objecto que é arquitectura, num lugar por si só privilegiado, sem demitir a paisagem das características que a distinguem. Reforçando a relação com o lugar. Aproveitando esse impacto de um ponto de vista positivo. Embora seja conhecido por ter criado o Estádio do SP Braga, entre algumas grandes obras maiores, são as casas que constrói por todo o Portugal que, penso, o melhor distinguem. O cuidado na escolha dos materiais, a qualidade de construção incomum, uma apropriação dos lugares como se se dedicassem ao objecto implantado e proposto. Como diriam os romanos, salvé oh Souto de Moura. Parabéns pelo Pritzker (2011).

 

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