A viagem permanente











Baseado numa digressão intelectual sobre a ‘viagem’ do homem, este livro resume em versão análise, a ‘cidade’ onde cada um vive. Cidades constituídas por movimentos migratórios, cenas repetidas, estradas entrecruzadas com a ideia de uma dimensão contemporânea que, na maior parte dos casos, escapa a alguns. Os diferentes cenários referidos são sombras, estradas e imagens, iniciados com a personagem de um detective particular, que procura nos outros a imagem de si mesmo, até se chegar à trajectória de um epílogo ‘filmado com um senso de urgência’. Toda estrutura da obra, numa narrativa simbólica muito fundada no imaginário da película de cinema, acaba por constituir uma base para as histórias que o autor denuncia, num misto de confissão, tentativa de compreensão e necessidade de aprendizagem – da personagem e do próprio autor. Na realidade, faz-se um inventário da degradação do homem, das estruturas sociais e morais. Por vezes, essa necessidade de parametrização dos comportamentos humanos denuncia um certo desgaste, sobretudo no primeiro capítulo. Por outro lado, a noção de viagem dentro da cidade, e de lugar para lugar, demonstrada por que o próprio autor estuda as questões do urbanismo, detém uma forte consistência, quer filosófica, quer da projecção das camadas do mundo sobre o leitor.


Título: Cenários em Ruínas – A realidade imaginária contemporânea
Autor: Nelson Brissac Peixoto
Editora: Gradiva
Classificação: 3,5

Prós: Capacidade de invenção e o desprendimento teórico
Contras: Revisão do texto merece atenção, uma vez que sobressai o português do Brasil

 

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