Depois do betão, a inteligência


















Enuncia-se um novo condomínio para a zona do Hospital Miguel Bombarda, que a seu tempo será fechado (se é que já não fechou). Curiosidade: numa cidade, Lisboa, que tem cada vez menos habitantes, e que os perde para os concelhos limítrofes, convém construir mais, sobretudo habitação de luxo, ou se não luxo, a um preço incomportável? Outra: convém a uma cidade que poderia e deveria ter sido organizada de outro modo, com índices de construção e densidades menores, com uma ambição mais contida, apostar num tipo de construção acessível a muito poucos? Por último: convém realizar grandes operações urbanísticas no actual contexto, esquecendo que é necessário reforçar o edificado existente, promover a sua integração com os serviços que sobrevivem e outros, que se renovam, mas assumindo que o mais importante é criar condições para que jovens casais, casais a caminho da meia-idade e outros possam aceitar a vida na cidade como uma mais-valia? Pergunta enorme, que ajuda a pensar um bocadinho nisto. A arquitectura, e as cidades, grandes e pequenas, não são entidades abstractas. Têm identidade. Interessa fazer convergir a oferta com a necessidade, ou então sou eu que estou a ver mal, talvez seja isso.

 

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