Made in Japan















O Japão sofreu um abalo económico e social incrível. As repercussões em todo o mundo estão a ser enormes, dispendiosas e fazem penar muita gente. Do modesto operário que fabricava peças de cerâmica, um componente essencial nas câmaras de vídeo Panasonic, passando pela equipa que fabricava os anéis das máquinas fotográficas Nikon, com fábrica em Sendar, até ao artesão mais exclusivo que, com a ajuda de equipas de arquitectos, construía o mobiliário compacto, caro, que decorava as casas dos mais ricos. Ao fim e ao cabo, é tudo uma questão de riqueza, de separação de bens, e de perspectiva. Senão vejamos: aquele país já não produz a energia necessária para fazer face às suas necessidades; a economia, o comércio, tradicional, a retalho, e o alto comércio (bolsa), eclipsou-se de um dia para o outro, porque desapareceram pessoas que tinham um papel chave, descobriu-se agora, na sociedade; as sinergias que promoviam uma solidariedade contagiosa, foram trocadas por uma sensação de impotência sobre a velocidade e o peso da água. Tadao Ando, arquitecto, disponibilizou-se, entre muitos outros, para participar na reconstrução organizada e contida, que produzirá habitações mais baratas e duradouras, atitude que, de um modo geral, todos os japoneses seguem, e que se comprova quando uma parte da população decide poupar, e acender velas à noite, em vez de usar a electricidade produzida por estações nucleares em risco. Os tempos mudaram, e o cenário mudou. O tsunami (causa), a destruição dos negócios (consequência), da cadeia de fornecimento («supply chain»), as mortes a que alguns querem atribuir um significado de mudança, alteraram as variáveis. Perante a adversidade atómica, e a perigosidade, urge a adaptação de mentalidades. A dor persiste. Um Salmo: «Pois livrará ao pobre que clama por ajuda, Também ao atribulado e a todo aquele que não tiver ajudador.» (Salmo 72:12)

 

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