Da planície alentejana




















A Fundação Eugénio de Almeida produz este vinho desde 1992. Em 2011, apresentou-o ao mercado num blend de quatro castas, que lhe conferem uma maior complexidade, mas que lhe retiram também alguma identidade. Sabemos que o ano referido é propício a uma caracterização mais enquadrada, e que o facto de ser um vinho de uma gama mais acessível – um vinho corrente vendido abaixo dos cinco euros –, pode justificar a aposta. Desde já, a prova. Garrafa aberta uma hora antes.

Vinho: EA
Colheita Seleccionada: 2009 Tinto
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida
Região & País: Vinho Regional Alentejano | Portugal
Preço: €4,50 a €6,50
Produzido a partir das castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Castelão

Aparência: Vermelho morno
No nariz: Madeira forte, uma ligação vegetal com espargos, muita terra, poucos, quase nenhuns, frutos vermelhos e muito álcool (14,5%).
Na boca: final longo e picante, que persiste, com alguma adstringência. Predominância para o toque vegetal, por isso, bastante amargo, e untuoso q.b.. Esta acentuação vigorosa dos taninos é absorvida pelo forte teor alcoólico.
Final: Quente, com sabor a madeira que se esvanece pela forte tendência para as especiarias: a pimenta. Bastante gás.
Impressões gerais: Deve dizer-se que este vinho tem muita personalidade. Só que é uma personalidade vista. Já encontrei outros vinhos com características exactamente idênticas, o que me parece repetitivo, havendo condições para reforçar elementos que atenuem alguma austeridade ao palato. Obviamente, a diferença, que se acentua nas notas fortemente apimentadas, pode trazer a este vinho um público que outros vinhos não trarão, porque a tentativa de escolha de um sabor, numa postura, denota coragem. Considerando-me um apreciador da diferença, vejo nesta proposta uma tentativa que acaba por falhar o alvo desse objectivo primordial. Por vezes, a vantagem manifesta-se mais na simplicidade do que na exacerbação. Os anos anteriores evidenciaram isso mesmo, com acentuações de tom (sabor) muito distintas e, na minha opinião, mais interessantes.De 50-100, dou-lhe 70. Por ser um vinho com qualidade, mas com excessivo teor de álcool que esconde tudo. O blend de quatro castas também acaba por ofuscar o que três, duas, ou mesmo uma, poderiam confirmar como fórmula. Mais um ano de garrafa, pelo menos, pode garantir alguma evolução. É esperar para ver. Acompanha bem pratos apimentados.

 

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