O Adepto Comum















O «adepto comum», diz uma figura pública da nossa praça, que bota opinião na tv, ‘não consegue usar de racionalidade’. Ao contrário do adepto racional, iluminado, que consegue, e bem, proporcionar ao telespectador mais incauto uma voragem de inteligência, acutilância e esmero ao nível da fonética. Porventura, diz ele vezes sem conta, parece-me credível assumir que os rasgos de inteligência que suportam, que estão na base, de tal exegese racionalista, podem, e isto é uma mera suposição, estar relacionados com uma tendência bastante voraz de contribuir para um ecletismo sistémico que, em termos meramente discrepantes, tenta fazer dos outros, que estão ali num patamar de ordem neuronal a decair, a roçar a berma da estrada, a sarjeta e esses sítios desprezíveis, seres de uma assertividade rasteira. Ora bolas, pergunto: o que se deve concretizar quando certos e determinados homens comuns que repetem a mesma palavra em todas as frases em que, de algum modo, tentam fazer-se sobressair sobre os seus pares? Qual deve ser a recompensa para alguém que, porventura, delimita o seu estatuto com gestos grandiosos, de efeito que congestiona as córneas, e ainda por cima tenta chacinar o adepto comum, que vê a bola com o coração nas mãos, enquanto sua senhoria, com enorme tranquilidade, controla as suas emoções ao mesmo tempo que se desloca no meio de tanta pompa e circunstância de momento? Como é que se atura isto? Confessando que o adepto irracional tem uma palavrinha a dizer ao senhor doutor. Evito a reprodução, pois podia ser sinal de racionalidade. 

 

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