Pão com manteiga















Em Portugal come-se bom pão. Sendo um alimento barato, pobres e ricos podem sentar-se à mesa e degustá-lo sem restrições. Onde moro, o pão que se faz é mais variado do que no resto do país. Resumindo, há mais pão aqui a ser confeccionado por metro quadrado do que em qualquer freguesia de Norte a Sul de Portugal. Se quiser côdea saborosa e espessa, e pão que dure mais do que vinte e quatro horas depois de cortado, vou a Alcainça, antes da Malveira. A padaria do senhor José fica numa curva cega da estrada, é preciso conhecer bem para parar lá sem provocar nenhum acidente de viação. Entra-se, apita uma campainha de presença, e ele aparece por detrás de um forno a lenha que dá ao pão e à broa de milho, um sabor inesquecível. Embora mais amarga do que a da Aldeia do José Franco, que fica um pouco mais à frente, a caminho da Ericeira. Rumo ali se quiser comprar o sustento, o famoso pão com chouriço que aprecio simples, e costumo levar também a enorme broa de milho, gulosa, bem amarela e rugosa, com uma doçura ténue e retemperadora. Nos dias mais fugazes, com o tempo curto, uma das pastelarias da zona serve um pão muito razoável. Pede-se muito para fatiar o pão naquelas maquinetas que fazem um barulho infernal. Por vezes, cometo o pecado. Nada se compara, porém, ao desafio da lógica rotineira, levando um pão inteiro que se corta ainda morno, e embebe em manteiga dos Açores.


 

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