Ai, apetece-me construir em todó lado, e se possível numa zona exclusiva onde mái ninguém o fez tá {actualizado}
















Jesus é, provavelmente, a personagem mais citada da história da Humanidade. Serve para tudo. Se alguém está num aperto, compara-se a ele. Se lhe dói um pé, estou como ele, que ficou com os pés (e mãos) pregados numa estaca. Que também teve de enfrentar dificuldades, aturou a má criação dos fariseus, os golpes dos estrategas de serviço, que tendo ali à frente o prometido, preferiram olhar para o lado e ignorá-lo. Ele teve que aturar muita coisa, é um facto, a começar pelas subtilezas do Império Romano e seus consortes. Salomé, uma discípula que lhe tratava dos bens, a dado momento pediu-lhe o favor de que se concedesse aos filhos dela o privilégio de se sentarem à sua direita e esquerda no Reino. Não fez a coisa por menos. Pilatos, que ficou com o ónus da sua morte, também se indignou pela matilha que o quis matar, libertar Barrabás, um criminoso, na célebre consulta ao povo. Isto para dizer que o sofrimento daquela pessoa é usado para tudo e por todos como um fortíssimo elemento de comparação. Agora, quando certa personagem, pessoa, se digna expor um problema relacionado com o facto de ter desenvolvido actividades ilegais ao nível da construção em zona de Reserva Ecológica Nacional, elaborando depois o argumento em que invoca que Jesus quando esteve na Terra também lutou pela justiça, e isso, cabendo às autoridades competentes fazer o mesmo, ou exercer o mesmo senso de justiça, então, estamos aqui ao nível da inversão do ónus da prova, coisa que por acaso também sucedeu ao prometido. Quer dizer, toda a gente tem direito a uma opinião, por muito absurda que seja, a expressá-la pelos meios que considerar viáveis para a sua difusão, correndo-se o risco de, por vezes, isso ser um pouco confrangedor. Agora, pedir-se ao mundo, em específico, que nos legitimem pá, o devaneio de fazer basicamente o que nos apetece, porque sim, usando depois a figura histórica (real) de Jesus, parece-me excessivo. É por essa razão que compreendo a atitude dele relativamente a assuntos tão díspares como a humildade (dos outros) – repare-se que foi ao ladrão que estava numa estaca próxima da dele, que prometeu a ‘herança do Reino dos céus’, e não à mãe ansiosa que queria ver os filhos evoluir na ‘carreira’ –, e também no que diz respeito à bebida. Quando fez o primeiro milagre conhecido, e transformou vinho em água numa festa de casamento, julga-se que se ficou por um vinho corrente? Nada disso. Deixou o melhor para o fim. Acabou-se o vinho, tomem lá um reserva, para a festa acabar em apoteose. É ou não é uma questão de justiça bem aplicada? Claro que sim. Portanto, é aprender.

 

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