Axioma arquitectónico



















A arquitectura devia estar disponível para todos, o que facilitaria a vida a muita gente. Infelizmente, lapso incrível, apesar de todos, de alguma maneira, usarmos o espaço público e privado, poucos são os que entendem a verdadeira dimensão de um objecto arquitectónico, ou de uma intervenção num lugar. Dá pena. Por infeliz acaso, todos os dias submeto uns sujeitos que nunca vi na vida à intolerância dos diplomas, que são muito bem-vindos em doses pequenas e não com a carga de trabalhos que me exigem. Perguntam, identifico. Demonstro os constrangimentos, urbanísticos, responsabilidades, embora a ânsia de ter uma resposta definitiva sobre a viabilidade seja uma totalidade. É impossível chegar a um lugar qualquer de Portugal e obter um sim e um não peremptórios. Faz parte, é cultural, não vem mal ao mundo por isso. É preciso entender. É impossível, mas tente falar com aqueles senhores porque existe um regime de excepção. Parece difícil, no entanto, é capaz de ser boa ideia dirigir-se ao sítio y e conversar com os senhores do organismo z, pode ser que a sua situação se enquadre. O cenário é favorável, e isso é bom, só que uma série de gente vai ter de pronunciar-se sobre o problema. Compreende-se. Compreendeu? A forma clara como a informação é tratada, coloca quem ouve num estado de comoção, desespero, alegria esfusiante, ou fúria absoluta. Quem presta informações por obrigação remete-se ao lugar de interlocutor. Quem ouve, fica impávido, muitas vezes sem saber como reagir, ou deplorando ter de o fazer. O problema está na base. No axioma que apenas produz sentenças, força ao repúdio do pensamento, e ao desprezo pela possível manifestação da evidência intuitiva, a inteligência, descambando constantemente na perturbação da ordem mental dos outros, que mantêm a sanidade mental a ironizar sobre as obrigações ditadas pelos regulamentos. Ah, se tudo fosse tão axiomático como a inteligência, então a arquitectura seria um lugar-comum.

 

Quantcast