Chá, café ou laranjada?
















© Bruno Rascão

Aprendi a beber chá numa ida a Londres, tinha 15 anos. Chá com leite e café com leite sem açúcar. Marcou-me mais o chá. A razão, desconheço-a. Nunca percebi o fascínio dos ingleses pelo chá, muito menos com aquela idade. Passei a apreciar porque me pareceu chic. Anos mais tarde, desisti de o beber com leite, porque assumi que o gosto do chá puro é melhor. Voltei ao chá, sem adições. Com açúcar, mel, e nada mais. Para deixar os taninos evoluir no palato. Diferentemente dos povos ocidentais, os berberes do Médio Oriente, substituem muitas vezes o uso do chá pelo leite de cabra. Faz daqui a uma semana alguns anos, estava com o Bruno Rascão, um fotógrafo excepcional, no Dubai. O trabalho ali começa às cinco da manhã, porque a luz é melhor, a fotografia fica com maior qualidade, e a partir das 11 da manhã, apanham-se na rua transeuntes incautos e distraídos com gosto por esturricar a pele. A opção é entrar num local com ar-condicionado e apreciar. Para além de termos atravessado o Dubai Creek de barco, apreciando a cidade e a sua transformação de uma perspectiva muito diferente, chegámos à dita zona pobre. Onde atracavam barcos vindos do Bahrain e Norte de África. O contraste entre as duas zonas é fabuloso. De um lado, a riqueza e a ostentação, nos edifícios revestidos com envidraçados gigantescos, o espelhado característico, os carros topo de gama a circular. Na mesma rua, um pouco mais abaixo, as embarcações atracadas a uma margem do Creek, numa serpentina de diversas linhas em paralelo (o estacionamento em segunda e terceira fila), cheias de indígenas. Desde automóveis, a cabras, tapetes, porcos e outra espécie de parafernália, transportavam de tudo. A zona pobre da cidade, escondida atrás dos edifícios evoluídos, assim o exige. Resultado? A um dado momento, fomos convidados a entrar num barco para beber um copo. Medo. Bebi parte do leite de cabra quente, apesar dos 45 graus (e 100% de humidade). Serviu-me de lição para optar sempre pelo leite, sim senhor, mas de vaca, para escolher o leite de cabra, em versão queijo, e para eleger o chá como bebida ideal para confraternizar. Sobretudo frio (e com limão), se a temperatura ambiente ultrapassar a barreira dos 30 graus.

 

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