Olha ó robot
























Há seis ou sete anos, estava em casa de amigos para comermos que nem uns abades, falaram-me da Bimby. Que tinha feito um bacalhau, uma sobremesa de gosto inesquecível, que era insubstituível. Resumindo, fartaram-se-me de gabar a dita, de tal maneira, com um afinco tão despretensioso, que pensei que fosse uma cozinheira com dotes soberbos que ali iria elaborar em exclusivo um menu delicioso para todos assimilarmos com apreciação. Curioso, perguntei, onde é que ela está, quando iria chegar, mais ou menos isso. Por acaso, nem estava lá, apenas o resultado, o que contribuiu ainda mais para que o suspense à volta dela fosse estabelecido e se implementasse. Por fim, descobri. Revelo a minha ignorância, porque, élasse, até aquele momento, nunca tinha ouvido falar de nenhuma cozinheira electrónica. Durante alguns momentos, fui mantido nesse limbo de inesgotável gozo, para eles, até ser esclarecido de que a Bimby é uma máquina. Uma máquina de fazer comida. Durante os meses e anos que se seguiram, mantive-me céptico quanto a como funciona um aparelho electrónico dessa estirpe numa cozinha. Como se confecciona um bacalhau. Uma sobremesa. Admito, é fácil pensar na Bimby a confeccionar um creme de legumes, o restante é um pouco mais difícil. Ao longo do tempo, tenho ficado um pouco mais atento à proliferação de maquinetas com tecnologia de ponta dedicadas à arte de bem congeminar uma receita a preceito. Já estive com uma Bimby à frente. É esquisita. Faz um barulho espacial, e quando termina, repousa no recipiente o resultado, sempre adequado. Tem livro de instruções e receitas aconselhadas. É um óptimo instrumento para quem tem alguma nítida falta de talento, para os audazes e para aqueles que, conhecendo as suas virtudes, os que usam e abusam de todas as suas potencialidades, o fazem em convergência com outras elaborações mais complexas de receituário. A Bimby é símbolo e epíteto da parafernália tecnológica que agora habita as cozinhas, e já percebi que alguns chef’s a utilizam quando requerem consistência na elaboração de um molho, creme ou outro similar, que necessite de ter todos os dias a mesma textura, sabor e aveludado. É uma vantagem, mas parece-me existirem outras. O que só faz bem. Quando lhe perguntarem pela dita, já sabe, é um robot sem humores, que promove o maior inábil a respeitado gourmet.

 

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