Planos e saborosos

















Portugal tem o melhor peixe do mundo. É natural. Com uma costa tão grande, uma área económica exclusiva cujas proporções únicas são convidativas, e recifes, corais e paisagens subaquáticas de idêntico valor, parece-me credível pensar que o bom do peixe se achegue. Da patruça ao rodovalho, do halibut ao pregado, passando pela solha, a azevia, sem contudo esquecer os mais encorpados e de menor planura, como a dourada, o robalo, o pargo vermelho, ou branco, entre outros. Um linguado grelhado no carvão, acompanhado de um vinho branco gelado da zona do Tejo (castas Fernão Pires e Arinto), com batatas cozidas, azeite alentejano e siesta, faz as maravilhas de um domingo soalheiro. O direito à preguiça também é um dado adquirido. O que me impressiona nos peixes mais planos, capturados no mar, é a riqueza da carne, muito firme, e o sabor, muito mais intenso do que nos peixes de viveiro. Em miúdo comi muito peixe cozido. Daí que o peixe propriamente dito tivesse sido mais dieta do que pertença a uma ementa arrojada. O gosto pelos diferentes tipos de peixe enviesa dessa espécie de distância mantida com os ditos. Digamos, questões de saúde. O que a idade traz, para além das devidas cautelas, é a capacidade de experimentar outros peixes, ou de transformar um peixe aparentemente desinteressante, como a pescada, num prato de irrefutável bom gosto. Agora, depois de tudo cozido, depois das cenouras cortadas longitudinalmente, as batatas, os bróculos (ou couve-flor), o peixe, os ovos, dispõem-se todos os ingredientes num empratamento em 'estrela', com a retirada de todas as espinhas do peixe a ocorrer para que se evitem contratempos, peixe esse que fica ao centro. Rega-se tudo com azeite, tempera-se com pimenta e, por fim, com o molho especial para peixes de gosto e sabor demasiado esquivo, com toques de açafrão, maionesa, salsa e coentros, sal, pimenta e azeite. Apesar da sua evidente falta de beleza, até o mais céptico fica fã da merluza,

 

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