Um lugar no paraíso


















Há uma floresta primitiva ao longo da fronteira entre a Polónia e a Bielorússia, que tem resistido à matança dos exploradores de recursos. O meio milhão de hectares da Bielowiesa Puszcza alberga freixos e tílias de trinta metros de altura, abetos europeus, fetos, vegetação pantanosa, carvalhos com musgo milenar. Vegetação única no mundo, obviamente cobiçada pelos exploradores que, em vez de pensarem nas histórias dos livros de aventuras, desfazem quilómetros de natureza em estado puro a favor de um negócio de milhões. Para se ter uma ideia, um quarto da massa orgânica acima do solo encontra-se em estados diversos de decomposição, numa medida que atinge os 50 metros cúbicos de troncos e ramos podres por hectare. Para a natureza, é como se fosse uma despensa natural. Uma fonte inesgotável de recursos. O que parece interessante naquela pueril existência, é o facto de representar um pouco daquilo que a Europa foi em tempos recônditos. As cidades são agora o paradigma da representação humana, da excelência funcional e orgânica, mas noutros tempos, a floresta densa de vegetação, escura, por onde passava aquele ar espesso e frio, caça diversa e, mais tarde, habitantes de regimes tão diferentes como o de Hitler e Stalin, atravessava o Velho Continente. O que isto importa? O que seria do mundo sem os humanos? Um aborrecimento, claro está. O que aconteceria ao planeta se, amanhã, todos os humanos se eclipsassem? Percebe-se que a Terra foi criada com uma capacidade de regeneração única. Olhe-se para edifícios, casas, abandonados, e veja-se o modo como a natureza toma conta das construções, e as consome e destrói. Os humanos foram a cereja em cima do bolo, por assim dizer. A extensão de uma personalidade que já existia há tempos imemoriais, reflectindo os seus princípios, valores, qualidades. Foi assim que fomos criados, apesar da degeneração. «E Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.» (Gênesis 1:27) O mundo sem humanos seria ainda como aquela floresta que emerge do Leste da Europa, restrita pelo poder de contenção que o desejo por madeiras exóticas expande. Seria uma pasmaceira, o que iria contrariar a ideia de usufruir de paisagens tão marcantes. (ver O Mundo sem Nós, Alan Weisman, Estrela Polar)

 

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