Eu é mais bolos {actualizado}






















Mil folhas ou Bola de Berlim? Eis a questão relevante: qual deles é melhor? São dois dos meus bolos favoritos, mais do que uma simples aproximação ao universo pasteleiro. Muito mais do que isso. As Bolas de Berlim fazem-me lembrar as férias no Algarve, duas, três semanas, quando era miúdo e rumávamos a Quarteira – quando ainda era sossegado, e a zona mantinha as características de uma estância relativamente exclusiva. Havia especialidades de praia, como a Bola de Berlim sem creme, com pouco açúcar, servida ainda morna, que fazia com que o jogar raquetas durante duas horas seguidas, valesse a pena. Mais a norte, perto de Lisboa, na Costa da Caparica vendiam-se, aliás, ainda se vendem, algumas das melhores bolas com creme da grande região da Grande Lisboa, o que é bom para fidelizar novos públicos. Confesso, já ali não vou fazer praia há quase uma década, mas continuo a ouvir falar daqueles bolos que alemães e austríacos comem com doce de framboesa, de alperce e outros semelhantes. Nem para eles são bons, pá. A adaptação lusa para um doce de tal monta é brilhante: ora, substituamos o doce de fruta, por uma camada interior, de creme de ovos, camada a sério, abusiva e generosa, a esbanjar da curva redonda que define o círculo da bola. Melhor do que uma, só mesmo duas para compreender a substância das coisas, sejam salpicadas com açúcar branco em pó, seja com açúcar refinado em pequenos grãos. Ou, para quem conseguir avançar e fazer-se à vida, depois da ingestão compulsiva de ambas, a degustação suave de um Mil Folhas. Mais complexo, de aspecto um pouco mais frágil, ou não fosse de origem francesa, fazem-se assentar um conjunto de camadas de massa folhada, intercaladas por creme de ovos, finalizando a medida com uma camada final, espessa, esponjosa e ao mesmo tempo docíssima, de creme de chocolate misturado com creme de açúcar, numa sintonia formulada em simultâneo para adequar ao palato dos mais exigentes. Prefiro claramente aqueles mil-folhas mais concentrados, com uma altura menor, com a massa um pouco maçuda, e que ao serem trincados remetem para as idas a uma pastelaria aqui da zona, que também fideliza com bastante facilidade, onde se podem deglutir iguarias como as descritas, com a tradicional bola em lugar de destaque. Nitidamente, as férias de Verão eram, e por vezes ainda são, momentos únicos de manifestação da arte de bem realizar a peregrinação pasteleira.

 

Quantcast