A Herança



















Neste romance há de tudo um pouco. Tragédia amorosa de faca e alguidar, muito sangue, mal-entendidos, mulheres e homens apaixonados que são escusos, aplacando as paixões no submundo do jogo e das dívidas, homens sem escrúpulos, mafiosos da noite que procuram intimidar os devedores, mortes prematuras, negócios escuros com juízes corruptíveis, monarcas ansiosos pelo poder e jogadas de bastidores. A sociedade fina e elegante, afinal, que denota pelos seus representantes ter quase os mesmos, ou até nenhuns princípios, como a dita base. O cerne da questão está relacionado com o poder do rei Henrique VIII, e o escândalo da sua relação amorosa com uma mulher americana casada. A casa de York, que quer ver a ascensão ao trono virar para o seu lado da família, apostando na abdicação, fazendo o que for necessário para que se concretize. Tricas, portanto. O pano de fundo é a sociedade inglesa do início do século XX, estava Hitler a ascender ao poder, e a Europa e o mundo prestes a caírem no engodo de uma Segunda Guerra Mundial. A personagem principal, Owen Montignac, Director de uma galeria de arte contemporânea no centro de Londres, gostava que o deixassem em paz. Isso nunca irá acontecer. O casamento da prima Stella com um horticultor chique, o facto de aspirar à boa vida, de ver o dinheiro por um canudo e de, mesmo assim, manter a mesma determinação de sempre, apimenta o enredo. John Boyne faz maravilhas com a história. Nunca se perde em pressupostos. O que vem comprovar o bom prenúncio de O Rapaz do Pijama às Riscas (do mesmo autor, na ASA).

Título: O Parente Mais Próximo
Autor: John Boyne
Editora: Ulisseia
Tradutor: Fátima Halbritter de Sousa
Classificação: 5

Prós: Enredo; suspense narrativo da acção, entre o romance e o policiar; tradução
Contras: Não tem

 

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