Os efeitos do sistema

  




















Fotografia : ©Teresa Santos e Pedro Tropa

Como forma de expressão, a arte contemporânea tem derivado uma boa dose de visibilidade da espontaneidade. Da consagração de muitas fórmulas como expressão de um conceito, prática essa que tanto se adequa à transformação in sito de um espaço de museu, em que um artista decide adaptar-se ao lugar, realizando uma crítica social pura, utilizando um conjunto de técnicas que variam, suportes diversos e instalações sobre um espaço de representação que acaba por transformar-se ele próprio na obra de autor, que nestes casos, muitas vezes dissimula a própria identidade de quem concebeu, que se funde com um determinado objectivo. A ‘instalação’ admite a proeza de encarar o lugar como dispositivo teatral, fio condutor, que pode constituir um valor pictórico, e mediático, de elevada importância. Recordo uma ‘instalação’ de Grabiela Albergaria, que se manifestava pela inserção de um objecto com vida – um tronco enorme de uma árvore, com diversas ‘ramificações’ ou, outros troncos e um parafuso na base –, que ocupava uma sala inteira (Pavilhão Branco, Museu da Cidade, 2010), e que estabelecia com o exterior, igualmente orgânico, uma relação bastante enunciadora. Poder-lhe-ia ter chamado ‘Land Art’, embora agora nem recorde o tema da exposição, ou o motivo teórico por detrás de toda aquela monumentalidade. Apreendida a obra, o que fica para quem observa, para quem acaba também por intervir no espaço, porque o absorve, são os pormenores que, apesar de se desvanecerem com o tempo – aquela árvore era um objecto com uma vida útil efémera, curta –, conseguem marcar-nos indelevelmente. O tempo que passa, que permite recordar esse esforço do artista em interagir com o observador, é fundamental para ampliar a leitura do seu trabalho. A arte exige tempo, maturidade e as condições em que é realizada determinam que pode confrontar-se de muitas maneiras diferentes com os seus alvos de crítica. Suportes vídeo, fotografia, pintura, colagem, num jogo de linguagens que provoca formula uma identidade. Millet sublinha: «quando a arte recorre à estética dos media, presta-se especialmente bem à sua aplicação mediática.» É por essa razão que assistimos cada vez mais ao espectáculo da arte como deriva da própria ideia de comunicação.

 

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