Poesii



















Dois homens encontram-se numa taberna na Escócia. Fazem confissões um ao outro, ao som dos copos bebidos, até que um deles começa a contar uma história manuscrita de capítulo único. Depois, a acção, modulada, avança para a ideia de uma história da vida de um deles, desde criança, adolescência, no encontro com o amor, na sua perseguição e, por fim, na perda, quando adulto. Os sucessivos elementos do romance que comportam o enredo, remetem para o período em que foi escrito (antes de 1904), o local, Roménia, quando o país lutava pela independência contra o Império Otomano. É natural, por isso, que muitas das cenas descritas tenham uma forte componente ‘bélica’, com relatos sangrentos, devidamente absorvidos pelo teor moral do comportamento do protagonista. No entanto, por nos estarmos a referir a um livro, a linguagem é um híbrido que, embora mantendo características dominantes como a riqueza gramatical, do texto, e que a tradução reflecte, varia bastante. Linguagem fantástica do conto de fadas, com a descrição de muitos sonhos do protagonista (romeno), passando pela ruptura do tempo psicológico da acção com inúmeras incursões ao passado, até ao romance amoroso, reforçada por uma espécie de teatralidade dos actos e das cenas, em que a impossibilidade do amor e a falência são os temas tratados. Como o todo, o desenlace merece atenção. 

Título: O Génio Vazio
Autor: Mihai Eminescu
Editora: Alfabeto
Tradução: Monica Cozacenco
Classificação: 4 estrelas

Prós: Linguagem; imagens e metáforas; fundamento histórico da acção; variação da estrutura e dos registos da narrativa
Contras: Não tem

 

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