Dormir sobre o que identifica


















O lado recordatório da mente. A ver se me explico. A zona que reúne um conjunto de memórias. Os extractos que, simulados, como diria Deleuze, nos ajudam a perceber o enquadramento das acções, de um ponto de vista fixo, porque materialmente resultando da observação empírica, e de um dislate na sua representação, porque completamente assente na subjectividade. Elio Pecora, num poema, refere-se-lhe: «como se voltasse repentina/ela – há pouco apagada, perdida/ inteira e cheia de vida.» A memória. A recordação. A elaboração no espaço percorrido entre uma noite bem dormida, e uma noite agitada. A clivagem entre ambas é redundante, quase tão repetitiva como o acto que manifestamente necessita de ser revelado como elementar para passar a ser considerado. Observo essa relutância da mente em estabelecer o peso definitivo de certas ideias, instaurada a expansão consciente, que executa e alimenta uma relação complementar, uma comunicação directa, embora em volta do eixo, entre a comunicação analógica (da memória usada e esquecida) e a comunicação digital – aquilo que se pode considerar a linguagem diacrítica. Em termos simples, a naturalidade que um processo de crescimento confere ao seu autor, interveniente, actor nos processos concretizáveis, e o conteúdo simbólico, que embora decorra dessa experiência, se molda num processo que sofre da influência do implícito, mas que associa à natureza das coisas, no contraste curioso entre a noção que se obtém da tentativa de recordação, da conferência com a idade mental que a produziu, e a consciência lógica, equacionada relativamente ao tempo cronológico actual. Nesse preâmbulo, subsiste a noção de ingenuidade, o recurso defensivo aos acontecimentos, aos espaços, à linguagem, tudo constituindo um património utilizado de novo, como análise segura de uma actuação crítica sobre o quotidiano.  

 

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