Interior e exterior

















Num belíssimo livro sobre a arquitectura do continente asiático («Instant Asia, Fast Forward through the Architecture of a Changing Continent», Joseph Grima), salta à vista uma forma de invenção. Um modo, uma abordagem, que contempla o uso de materiais que perfazem muitas vezes um jogo de reconciliações com identidades díspares. Um dos arquitectos cuja obra enumero como imprescindível é o japonês Ryue Nishizawa. As casas de Moryama são tão belas quanto estranhas, de entendimento difícil para um ocidental. Explico. Uma casa que é formada por diversas casas mono-funcionais, que por sua vez se relacionam através de pátios ligados entre si, e que podem existir isoladamente, podendo ser arrendadas – foi o uso inicial dado para pagar o empréstimo da obra de edificação/remodelação. A localização de cada espaço refere-se ao próximo pela sua função, delimitando um perímetro exterior tão rico como os diferentes perímetros exteriores. Pode parecer estranho. Uma casa dentro de outras casas. Espaços que se limitam ao seu objectivo primordial, de cada casa, cada jardim, com barreiras físicas quase inexistentes, mas com barreiras subjectivas, que permanecem e estão implícitas. Quanto à dissemelhança europeia, sobretudo, a abertura dos volumes ao exterior é tão grande que se torna possível , por exemplo, perceber o interior. Perceber no sentido da transparência, da relação entre ambas as partes. Os vãos (janelas) são aqui elementos que conjugam a luminosidade, e absorvem o exterior como fazendo parte da tela branca que se quer enriquecida, todos os dias, com a diferenciação imaginária, e subjectiva, do quotidiano. Os pequenos módulos, incluindo uma casa de banho social isolada, aparentemente dissociados, estão assim interligados, numa conexão, ou ligação, que lhes confere uma particular vivência do todo, e da própria cidade.

 

Quantcast