Os nossos restaurantes




















Há restaurantes e restaurantes. Lugares conhecidos e desconhecidos. Com a sala e os donos a receberem-nos como se estivéssemos em sua casa. Onde os hábitos são memorizados por todos os que ali trabalham. Empregados, nem pensar. Pessoas que servem com dedicação, empenhados em prestar um serviço excelente, ansiosos por que se seja mais do que um cliente. São raros os sítios onde chegamos, recebidos com enorme satisfação, e sabemos que seremos cuidados nas palminhas. O peixe será sempre fresco. A carne barrosã, os nacos completamente estabelecidos no grau de fritura perfeito, delimitado por princípios que apenas alguns conseguem repetir vezes sem conta. São aqueles lugares onde o pudim flan com natas tem sempre a mesma consistência, onde as entradas, os salgadinhos quentes, o pão saloio, com reentrâncias que a massa desenha, típicas do cozimento realizado num forno de lenha, a manteiga, serão iguais hoje, terça-feira, amanhã, na próxima semana. Pequenos pormenores que fazem uma grande diferença. Nem é o facto de nos tratarem por meninos, como está, a família, já acabou o curso, e o trabalho, até amanhã, mesmo com mais de trinta anos de vida. É, em primeiro lugar, a capacidade de, sem mexer muito numa carta que agrada a todos, conseguir que todos se sintam bem. As mesas são postas sempre da mesma maneira, a cozinha está à vista, conseguimos perceber o empenho e as subtilezas advindas de conceber um pargo no ponto certo, coisa difícil, de saltear uns legumes para que fiquem inteiros, rijos, e ao mesmo tempo tenros. Entende-se como conceber um pão-de-leite que é impossível de reproduzir, de tão bom. Nem em França os haverá naqueles termos. Quando se retira o guardanapo de pano da mesa, e se coloca no colo, compreende-se que aquele gesto é possível porque alguém decidiu assim, e que isso é bom para quem é recebido. Bem hajam. Dentro em breve, à mesma hora.

 

Quantcast