Tudo foi dito e escrito. Tudo foi feito.















  
(trabalho realizado pela artista japonesa Kumi Yamashita)


Num excelente texto, na «The Atlantic», John Barth pondera sobre o escrito. Será que já foi dito, pensado, extrapolado? Isto é o quê? O que é repetido. A originalidade é tudo menos um conceito abstracto. Relaciona-se com o espaço-tempo da memória, a astúcia, a capacidade de engendrar. Deleuze chama-lhe: «relação do conceito com a estabilidade lógica.» Relacionar ideias, sons, paladares, gostos, indicar referências que poderão preceder uma nova abordagem, uma sensação de ultrapassagem da dúvida: terá sido escrito por alguém previamente? Os elementos espaço-referenciais, a sua estrutura e a forma como são moldados no pensamento, em harmonia com as proporções, sensações e convicções do sujeito, são essenciais para evidenciar parâmetros de inovação que, bem vistas as coisas, acabam por funcionar como ligações subjectivas entre a matéria considerada e por considerar. A repetição existe porque ‘a maneira de fazer novo’, de adicionar ao espaço criativo uma ‘nova’ morfologia, própria, é identificada pelo acto em si, e sobretudo, pelo objecto criado. A sensação de que cada um se repete, igualmente analisada, é bastante para conceber-se este parâmetro infinito que está na natureza das percepções, a capacidade de determinar uma abordagem diferenciada, embora ligada ao seu espaço-temporal correspondente, em outras palavras, a tudo aquilo que a sustenta, a base, o carácter efémero das famílias de actos conscientes (e outros inconscientes) que apenas se conduzem para a pesquisa do assunto analisado porque existiu uma espécie de acordo prévio, de matéria factual que consolida a ideia. Será, diga-se, um pouco difícil compreender o suave murmúrio de uma nova ideia sem a contextualizar. Agarrar o conceito, e nisto a pesquisa pode fazer a diferença, é uma tarefa que obriga a filtrar das redes de informação, a considerar o valor emergente de uma ‘unidade de emoção’, e da respectiva variável sensorial.

 

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