A arquitectura com fio condutor













Centro Escolar de Fonte de Angeão, Vagos, por Arquitecto Miguel Marcelino











Escola Secundária de Cascais - Concurso, por Atelier Base

Miguel Marcelino, João Caria Lopes e Carlos Sequeira, pertencem a uma geração de arquitectos que começa agora a ter obra feita, ou pelo menos a pensar nisso. Esforço realizado a compasso, naquilo que alguns poderão considerar ‘estratégico’, e que apenas revela capacidade de trabalho. O primeiro terá tido um protagonismo maior nos últimos tempos, em virtude do início da construção de alguns edifícios que estavam em ‘espera’, fruto da vitória num concurso público, entre outras obras, enquanto os segundos, que fazem parceria no Atelier Base, embora já tenham ganho o Prémio Chan-Chan 2006, obtido uma vitória no Europan 2009 (João Caria Lopes + Tiago Filipe Santos), e alguns projectos de habitação, e equipamentos finalizados, ainda aguardam por essa concretização mais susceptível de lhes conferir alguma visibilidade, e mais trabalho. Num momento em que a encomenda de privados escasseia, aos jovens arquitectos cabe prosseguir a árdua tarefa de tentar sobreviver num mercado asfixiado pela ignorância – do papel do arquitecto na sociedade -, pela privação de meios financeiros, e pelo caminho esforçado que é forçoso realizar para chegar onde os grandes arquitectos já se estabeleceram.
As abordagens que implementam na sua arquitectura, para além de um forte tendência de avaliação do lugar, de adequação do espaço à sua envolvente, prática relacionada com a sua formação, na Universidade Autónoma de Lisboa, são distintas e complementares. O Centro Escolar de Fonte de Angeão, em Vagos, do arquitecto Miguel Marcelino, reproduz uma ideia de vinculação do uso do espaço em unidade. As salas de aula são separadas, embora em reunião com o conjunto, com corpos de uso mais genérico, como zonas de comer e de administração, a ladear a intervenção, unificando o conjunto. A simetria, o jogo de vistas que ampliam a contemplação da paisagem de cada espaço das salas evidencia a particularidade de apropriação sistémica, regular, contida. Aquilo que está a construir, ou que irá construir, irá formalizar esse esforço de redução, sem que a massa arquitectónica, o objecto, sofra com isso.
Por outro lado, os arquitectos João Caria Lopes e Carlos Sequeira, do Atelier Base, têm procurado estabelecer uma outra dinâmica com a relevância do espaço, de integração baseada num gesto mais naturalista, empreendedor no sentido de ampliação das referências arquitectónicas pessoais de cada um, estrito na capacidade de suavizar as linhas de força que se acometem na marcação espacial que impressiona, é referencial e orgânica, e utiliza a natureza da paisagem como elemento condutor de marcação do próprio projecto, integrando-a no novo lugar, no seu interior, na sua génese. Esta identificação é no seu caso reforçada, porque combinada com um trabalho de «arqueologia» da memória, muito contemplativo, é certo, mas fundamental para apreciar aquilo que determina o que de melhor se pode realizar num sítio. Portanto, detida atenção ao trabalho que realizam.

 

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