Depois das férias começo a contabilizar as experiências
gastronómicas. Os bons e maus restaurantes, as apostas seguras e as surpresas
inesperadas, que acabam por ficar como património. Nunca tinha passado por
Vieira de Leiria para demorar muito tempo, embora a zona seja digna de visita,
tal como as praias da Figueira, logo ali, e pelo caminho as fábricas de
cerâmica que vendem peças a preços muito agradáveis, sobretudo as com pequenos
defeitos. Domingo, dia de descanso, mas também de passeio, a praia de Vieira
por perto, daí ao almoço tardio foi um passo. Seriam três da tarde quando nos
aventurámos num dos restaurantes/bar da Marginal, junto ao areal, com duas
tendas montadas no exterior, permitindo aos clientes degustar o belo néctar, na
maior parte das mesas branco – via-se a frescura nas garrafas –, a acompanhar
uma bela tarde. Isso, por si, é um bom indício, de bom gosto, da existência de
garrafeira e copos altos, e se era para partir à aventura, entrámos. Escolhido o
outro lado do restaurante, com vista directa para o mar, para os chapéus de
madeira e palha fixos na areia, sentámo-nos, querendo comer peixe. Escolhidas as
sardinhas e uma dourada, €7,5 e €8,5 cada, servidas em prato branco, grande,
generoso, com alface, cenoura ralada (muito doce) e batatas cozidas, e um
azeite virgem-extra que completa o repasto com distinção. Tudo simples, e ao
mesmo tempo de qualidade superior. Nenhuma sardinha maltratada, mole, assadas
no ponto, disse-me a minha interlocutora, a dourada aberta para deixar aquela
película tostada da assadura, mas a carne branca, suculenta, a despontar. Água com
gás, limão e gelo para acompanhar, porque de retorno a Lisboa, sei bem que é
criminoso, enfim, com pão da zona, estaladiço, manteigas, as habituais entradas
de lugares onde se pode comer lenta, ou rapidamente, mas disponíveis um paté de
frutos do mar e azeitonas temperadas. Referi que passava das três da tarde? Conclusão:
vale a pena voltar, o peixe é fresco, a garrafeira composta, com pelo menos 20
escolhas diferentes para tintos e brancos, servidos em bons copos e com
talheres grandes, brilhantes. O atendimento, uma simpatia. O preço? Duas notas
de dez para duas pessoas, sem sobremesas, entradas e vinho. Com tudo, duas
entradas, vinhos, água, a conta ficaria nuns €25-35 por cabeça. Há lugares
assim. Chama-se Nau Frágil Bar, e reflecte uma moda da oferta de restauração da
zona, servir bem, com qualidade, e a qualquer hora do dia. A neblina que ia e vinha,
entrecortada por sombras, Sol aberto e o spray do mar revolto espalhado no ar,
foram apenas um bónus.

