Nem de propósito, a propriedade intelectual em Portugal vai começar
a ser tema quente. Acho bem. Pululam casos de pessoas que, sem ideias, se
apropriam da indumentária cerebral dos outros, assumindo-a como sua, sem dar
cavaco. É prática corrente certos conceitos irem parar à mão de pessoas que os
não desenvolveram. Esclareço: muita gente vai ter com quem de direito. Fá-lo
com ingenuidade, pudor e, por vezes, sendo recebidos, ficando obviamente com
esperança que certas coisas se concretizem. Os mais naif’s poderão pensar que
essa possibilidade está relacionada com a disponibilidade latente nas pessoas
que ocupam certas posições, até concluírem que o que persiste é um pouco
diferente. À excepção do MEC, e de alguns como ele (muito poucos), quem manda gosta
de observar o mercado das ideias. Seja por preguiça ou falta de talento, há
quem não mexa uma palha, ou um neurónio. Por isso, quando alguém consegue
chegar à fala com pessoas desse calibre, é comum ouvir uma de duas respostas:
se for uma boa indicação amiga, o caminho traçado é o do sucesso, por ser inconveniente
hostilizar quem nos pode dar a mão no futuro; se for um estranho, um pató que
decidiu ir ali tratar da sua vida pelos meios que tem disponíveis, que são
nenhuns, pode acontecer aquilo que foi tão bem satirizado pelos Gato Fedorento,
no segundo episódio MEO, quando estão todos reunidos numa sala com o objectivo
de realizar um brainstorming, e alguém elege uma ideia repudiada no momento
como péssima, proposta de seguida pelos ‘maiores’
(gosto da designação) ao Director da empresa, o Jaime, aliás, o Fernando, que a
acolhe como um rasgo de rara inteligência. A apropriação por parte de quem pode
é constante e acontece mais do que se pensa. No caso citado, o «Director» não
sabia, mas na maior parte das vezes não só sabe como toma a iniciativa. Essa é
uma das razões do apoio ao empreendedorismo português ser uma ficção. Quem pode, pode, quem não pode, esqueça.

