Nua e crua verdade dos aromas



















Quem é que não gosta de ervas aromáticas? Poucos, quase ninguém. Digamos que as ervas conferem a um prato que se pode tornar sensaborão, uma conotação afável de exclusividade. O alecrim com as batatas assadas no forno. Os coentros, em quase tudo, desde massas, molhos, saladas, mistura de amargo e doce que aumenta a complexidade de qualquer prato. Os orégãos nos queijos semi-derretidos no forno, embebidos numa película de bom azeite, um pouco de pimenta, onde depois se molha o pão macio. Seria difícil encontrar combinação mais apropriada. Como o manjericão na ‘pasta’ de tomate‘al dente’. O cebolinho no creme de abóbora. Melhor simplicidade é impossível. Uma das vantagens que a cozinha tem é esta possibilidade de criar com as ervas aromáticas. A salsa nas pataniscas, nas saladas mistas. Pedaços verdes que acabam por unir certos sabores aparentemente desapegados, colocadas no final da confecção, como no caso do risotto, e depois reforçando a porção servida, de vida, bem picadas, a pedir ainda mais azeite. A temperar os molhos, ou mesmo em sobremesas. Senão vejamos uma variação de Nigella Lawson: os senhores e as senhoras pegam numa taça, colocam aqueles suspiros de pacote vendidos em supermercados, desfeitos em pedaços; depois nectarinas sem caroço cortadas em cubos, e manjericão fresco bem picado; por fim natas batidas. Repete-se, por camada, mais uma vez. Vai ao frigorífico. Podem usar-se morangos, frutos do bosque, se se usar iogurte fresco natural, iogurte grego, torna-se numa óptima maneira de começar o dia. Porque comer de manhã também tem muito que se lhe diga, e as ervas podem reforçar a dose de ‘fitoquímicos absorvidos’. Há quem deteste o cheiro da comida. Outros acordam capazes de devorar tudo o que estiver em cima da mesa posta. Ovos mexidos com tomate (com ervas), doces e compotas, panquecas, bolos secos, pão (torradas) – com ou sem azeite, alho e ervas–,cereais integrais, frutos secos, iogurtes, leite com café, expresso puro, fiambre, queijos (com ervas), sumos de fruta naturais, sem açúcar, com ervas. As calorias importam sobremaneira, pois para algumas pessoas a necessidade de controlar o que o corpo ingere está directamente relacionada com uma ideia de bem-estar, e isso também se relaciona com os factores positivos da ingestão de ervas cruas. E é mesmo assim. Uma estalagem no Algarve, por exemplo, serve ovos estrelados com tomate fresco, salpicados de salsa, doce, o que, perante determinados padrões, pode constituir um ‘crime’ calórico. Se a isto reunirmos a panóplia de opções descritas, temos então a variedade respeitável a obrigar à contenção. O fim do jejum da noite pode ser tão absoluto quanto suspenso, pode ajudar a um despertar macio ou, em alternativa, à ingestão de água com gás, e a uma sesta demorada antes de almoço, a expressão máxima da preguiça. Coisa boa para realizar durante as férias. Facto que se depreende ser relevante para a maioria. Portanto, concluindo: as ervas aromáticas ficam bem em quase tudo, do estufado e guisado, ao teor de um pequeno-almoço. É de evitar falhar essa refeição pois, a longo prazo, o corpo ressente-se.

 

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