Mimos de comer e beber

Os chef's têm um modo muito peculiar de dizer aos clientes que serão sempre bem vindos naquele restaurante. No final de um menu, oferecem-lhes um 'mimo'. Um docinho, um salgado, um pedaço de vida de realização complexa, que se come numa única dentada. Sabe bem, convida ao retorno. Na Le Canard, Pedro Vasconcelos pegou na ideia de querer que os seus clientes se sintam tentados a voltar, e transformou o 'mimo' em lema que exorta a que voltem 'a casa'. «Mime-se.» Venha cá outra vez. O que é a Le Canard? É um novo espaço em Lisboa para se ir às compras. Abriu à coisa de um mês. Que espécie de compras podem realizar-se ali? No registo das antigas charcutarias, onde se vendia de tudo um pouco, agora com uma nova abordagem, mais diversificada e supimpa. No Centro Comercial da Portela, loja 33, no primeiro piso, junto às escadas rolantes, aquela loja oferece cerca de 45 m2 de puro prazer. Subsistem três funções num único espaço: charcutaria, loja gourmet – com produtos de grande qualidade –, e serviço de refeições ligeiras e tapas, a que não é alheio o facto, de alguém na família do proprietário ter várias, senão todas, costelas espanholas.

Le Canard - Centro Comercial da Portela, Lisboa 

Néctar de oliva - os azeites e aceites

Pêssegos e marmeladas artesanais

Pedro Vasconcelos, sócio gerente, tem 32 anos e uma vasta experiência no sector do turismo, restauração e bebidas. Desde logo, pela formação. Licenciatura em Direcção e Gestão Hoteleira, pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, com formação adicional em Food & Beverage, pela Johnson & Wales University, e em Marketing, pela Central Florida University. A esta formação, reuniu experiências profissionais ao nível da Direcção e F&B no Hotel Campo Real, Golf & Spa, em Torres Vedras, no Alvor Praia Resort & Spa, no D. João II Villas & Beach Resort, Alvor Atlântico, todos no Algarve, em diferentes hotéis do grupo Pestana, sobretudo na Madeira, tendo passado também pelo Tavares Rico como Chefe de Sala, Relações Públicas e assistente de F&B. Se dúvidas houvesse, as referências ditam a estratégia, com um gosto acrescido por tudo o que esteja relacionado com comida.











As bebidas exóticas










Os chocolates negros (80% cacau), as trufas
Ou seja, a base, o lastro, fica patente no modo como o espaço Le Canard foi concebido e idealizado. Por ligação familiar também, a ‘arquitectura’ foi desenvolvida em parceria de maneira a tratar os produtos e apresentá-los da melhor maneira possível, com requinte, destacando pela supressão, e escolha seleccionada, do melhor que é confeccionado de cada item ao dispor. Dos queijos, portugueses, de Nisa, Serra da Estrela, Azeitão, ou Serpa, aos queijos franceses, italianos, e espanhóis, com especial enfoque para certos tipos de queijos manchegos (espanhóis), alguns mais apimentados, outros com uma tonalidade bastante mais dirigida para o produto que lhe dá origem, no sabor apurado a leite coalhado em elevado estado de maturação.
















As cervejas estrangeiras


















Queijos italianos, franceses, espanhóis e portugueses

A oferta vai mais longe. Desde chás, a foie gras, salsichas alemãs e espanholas – que subsituem com dignidade alguns usos do tradicional chouriço português –, a compotas premiadas, outras desconhecidas, quer de Portugal, quer do estrangeiro, patés, chouriços lusos, conservas artesanais de perdiz, codorniz, atum, frutos secos caramelizados, azeites, algumas bebidas mais exóticas, como o Armagnac de Brignac, um dos melhores champanhes do mundo, o equivalente português, Murganheira, e vinhos de um nível que é de reparar. Por exemplo, Encostas do Sobral, um tinto do Tejo, cheio de vida, encorpado, com odores a madeira nova, tonalidades fortes a fruta madura, com uma cor, uma cor que abrange um painel cromático de aderência súbita. Com queijos, com uma sobremesa rica, com um prato de carne vermelha tenra, alta, braseado, com aquela película tostada de que emergem sucos de sabor firme.












Chás Kusmi










Prato de enchidos nacionais










Salada de Mozzarela de búfala
A Le Canard, localizada a três minutos do aeroporto de Lisboa, num espaço (de centro comercial) com uma história consolidada, de bela arquitectura circular, apoiada numa população residente que aprecia o gourmet não escudado no afrancesado da expressão, que faz por merecer o epíteto, só pode correr bem. Na visita realizada, um velhote fascinado com um pacote de açafrão fresco, debatia com Pedro Vasconcelos quais as vantagens de poder deslocar-se a um lugar onde a oferta é tão vasta. Tinha mais de setenta anos, é habitué. Assim se implementam hábitos para que os clientes fiéis apareçam. E possam levar, entre as iguarias já descritas, produtos tão marcantes quanto bolachas, chocolates brancos e negros, salmão fumado, chás Kusmi, cafés da Colômbia, Quénia e Brasil, fiambres com e sem gordura, com ou sem sal, salames, presuntos, fuets e terrinas franceses, requeijões portugueses, água tónica Fever Tree, gin Citadelle, cervejas belgas e alemãs, entre tantas possibilidades que as prateleiras repletas enunciam, algumas delas em exclusivo para Portugal. No facebook da loja, Pedro costuma citar e destacar a chegada de novos produtos, fazendo recomendações certeiras para ocasiões notáveis, aliando as novidades no formato de cabaz, que cada cliente depois escolherá ou, sendo criativo, adaptará às suas necessidades. Cerca de 650 referências distintas sugerem dificuldades, demora de tempo para trazer o que se precisa nos belíssimos sacos de papel. Entre os momentos de escolha, nada como a degustação.
















Bolachas para todos os gostos


















Tábua de queijos nacionais

A oferta do menu de serviço de refeições ligeiras, é enorme: «Para picar», com pratos que vão desde os pimentos com queijo fresco, aos mexilhões em Escabeche, a tapas ibéricas, aos pratos de queijos e enchidos. «Saladas», de mozarela de búfala, salmão e espadarte fumados e Pastrami Chicago. «Pratos frios», de peito de perú, lombo e codorniz em escabeche. «Sandes» e «tostas», de queijo fresco, presunto serrano, fiambre fumado, bacon e chouriço. ‘Cachorro com as tradicionais salsichas alemãs’, acompanhadas de batatas fritas. «Coisas doces», com queijo (o doce de abóbora), bolo de gengibre, crepes com chocolate, mel, amêndoa, manteiga e vinho do Porto. No capítulo das bebidas, uma boa carta de vinhos, com 11 escolhas, excelentes representantes do Tejo, do Douro, de que destaco o Fragulho Branco (lembram-se desta referência?). É vendido para ali em exclusivo, um vinho fresco, com boas notas minerais, alguns traços de citrinos e uma forte intensidade a notas vegetais. Acompanhados de opções de Bordéus, como o Canon La Forêt tinto, todos vendidos a copo, variando entre os €2,50 e os €5,50 cada, e à garrafa, nesse caso com o preço a variar entre os €7,50 e os €18,00. Se tudo isto não bastasse, também aceitam pedidos para entregas ao domicílio na Grande Lisboa (tel.:+351 211 932 772), em encomendas com valores acima dos €50,00. Por isso, seja prudente. Rume à Le Canard sem hesitações. Todos os dias, das 10h às 20,00h. Ou então, telefone.


©  Todas as fotografias foram cedidas por JP, Consultoria em Comunicação e RP

 

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