Quinta de Sant'Ana - Verdelho 2010



















Os vinhos monovarietais estão na moda. Embora, aparentemente, as diferentes notações se enquadrem melhor quando a multiplicidade de aromas é reforçada por origens distintas, os blends não têm o exclusivo da qualidade. No caso do Quinta de Sant'Ana - Verdelho 2010, um vinho branco, fresco, a variedade única escolhida para este vinho revela um enorme fulgor.

Usada sobretudo na Madeira, na produção de vinhos generosos, uso que entretanto foi descontinuado, a verdelho produz uma amplitude de aromas importantes. Com baixo teor alcoólico, 12,5%, colocada em solos calcários com variações de topografia bastante acentuadas, uma localização privilegiada na sequência dos ventos atlânticos, na zona Centro, tem ali (Gradil) espaço para expor uma influência claramente mediterrânica, com toques evocativos de outras paragens.

De saída, no nariz, alguma fruta fresca, ainda com pingos de água, depois do orvalho da manhã, com notas minerais claras, a suavidade do enxofre com algumas notas de enchidos (bacon). Na boca, início seco, diria até um pouco áspero, que amacia com a deslocação, num final curto mas adoçicado, com notas firmes de cravinho e ervas secas.

No geral, é um vinho branco muito 'tenro', claro, com uma limpidez minimal e boa cor, translúcido, a tender para o branco apesar do amarelado esbatido, com um pico cítrico, um pouco de gás que lhe confere grande identidade, no prosseguir da prova alguma tendência de acentuação de fruta madura, que se acentua com o final vegetal, amargo e doce, em simultâneo. A secura também é pronunciada em alguns momentos intermédios, o que faz desta escolha uma óptima combinação com o Queijo da Ilha, quando empratar carnes brancas com arrozes e batata doce, como um frango frito com molho de manga acompanhado de arroz branco, solto, ou com doces, por exemplo, um bolo de bolacha intercalada por natas frescas, acabado de sair do frio.

Digamos assim, mesmo com as temperaturas a descer, com a lareira acesa para compensar, e as brasas a queimar, a frescura acentua-se como elemento de ligação entre os diferentes períodos da refeição. É o vinho da semana.

 

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