É do senso comum a especificidade de que o mel faz bem à saúde. De ser um néctar que coloca o corpo em ponto de rebuçado. Doce, portanto. Ultra doce. Capaz, como é óbvio. Aqui, a relevância relaciona-se com a produção de mel, com a sua importância para quem ainda não decidiu que seja sede em cada casa, ter um frasco de mel, beber leite quase a ferver com mel, tomar uma colher de mel com limão quando a constipação espreita, aquilo que os médicos (des) recomendam certamente por desconhecimento. Vamos por partes. O mel existe em diversos géneros. O mais escuro, com propriedades antioxidantes muito elevadas, o que faz deste um poderoso anti-séptico. O mais claro, consumido habitualmente, nem que seja pela cor, bastante apelativa, sem o teor medicinal, óptimo substituto do açúcar refinado. Em que medida isto é fundamental? Voltemos ao princípio.
Por outro lado, o facto de ter um alto valor energético, e
de poder substituir o açúcar, torna-o num alimento ideal para crianças. Num
estudo realizado com miúdos a partir dos dois anos, com problemas respiratórios
persistentes e efeitos como a tosse, a toma de uma dose regular de mel foi mais
eficaz que o tratamento com antibióticos, ou até que a ausência de tratamento
–habitual em quem se constipa. A tosse dos tomadores de mel diminuiu
progressivamente, e o efeito foi muito mais amplo para aqueles que substituíram
o uso de medicamentos com substâncias cujas denominações variam, que afectam
o‘sinal’ dado ao cérebro, bloqueando o reflexo da tosse, sem no entanto resolver
o problema, e que nunca, em caso algum, deveriam ser dadas a crianças com menos
de quatro anos. O mel também reduz a dor e inflamação, por exemplo, ao nível
cutâneo e da garganta, é um bom combatente de infecções, acelerando o processo
de cura, coisa que nenhum antibiótico faz, pode ser usado para atenuar o efeito
de úlceras do estômago, cortes, raspões, feridas comuns, alergias e picadas de
insectos. Por incrível que pareça, melhora a digestão, o que se verifica quando
é usado para o tratamento de gastro-interites. Se despejado no belo frango no
forno, é delicioso. Pode também actuar como laxante e sedativo. Voilá.
E por causa da glicose e da frutose, é de fácil absorção,
melhorando a eficiência do nosso sistema imunitário. Os seus níveis de
antioxidantes superam os níveis encontrados em maçãs, espinafres, laranjas e
morangos. A frutose é essencial, por ser necessária para libertar enzimas das
células nucleares do fígado, também elas necessárias para incorporar e
transformar a glucose em glicogénio. Boas reservas de glicogénio no fígado são
essenciais para suprir o ‘combustível’ ao cérebro, quando dormimos, ou quando
realizamos exercício físico durante períodos mais prolongados. As propriedades
experimentadas do mel só deveriam exigir do comum mortal um uso cada vez mais
assíduo. Há quem desdenhe daquele líquido dourado, e até há quem nunca o
utilize. Certamente porque nem sempre se perceberam bem os efeitos relativos do
seu uso irregular numa dieta mediterrânica. Foi, na Idade Média, substituído
pelo uso do açúcar de cana, que proliferou por causa do colonialismo, dos
negreiros, das refinarias localizadas em grandes portos e centros urbanos de
comércio. Assim que o preço do açúcar baixou, concorreu directamente com o
preço do mel, já para não falar da adopção do primeiro na ementa gastronómica
do tempo das Luzes, e no receituário campesino. Motivos bastantes para
considerar seriamente o valor do mel como produto de excelência. Para além de
todas as vantagens, há uma última que deve fazer ponderar o seu consumo: se bem
acondicionado num local fresco, sem variações de temperatura elevadas, seja
100% puro, aquamel, ou outra espécie qualquer, pode durar para sempre. Só que
estas boas características, está-se mesmo a ver, irão impedir uma reserva
intemporal. A prateleira da dispensa terá de ser brevemente reposta – como,
aliás, se percebe, pela fotografia.

