Dois rosés de boa índole















Rosé nos copos (por lapso, apenas um deles na fotografia; depois de colocada a garrafa no vidrão, nada a fazer). É uma espécie de lema. Faz bem à alma que cada um é. Por essa razão, nada como um comparativo entre dois rosés alentejanos para colocar a consciência em acção e alerta, porque queremos verter o líquido enquanto a temperatura gelada o permite. Um da Casa Agrícola Herdade do Monte da Ribeira, outro da Fitapreta, denominado Sexy. Ambos de 2010.
O primeiro, de Alfrocheiro, Aragonês e Syrah. Fresco, fresquinho, morangos, pouco álcool na abertura, com mineralidade, muito intenso nos aromas, uma cor carmesim a convergir para cor de sangue, luminoso na sua película, acidez e equilíbrio, como que manifestando um gosto sensível e palpável ao tacto. Se por um lado amargo, pelo outro doce, com uma noz de manteiga que evidencia para o palato uma boca, que se fosse tinto se chamaria taninoso. E, no entanto, respira enxofre, que enquadra os fortes aromas a frutos vermelhos.  

O segundo é feito de Touriga Nacional (40%), Aragonês (40%) e Syrah (20%). Muito frutado na sua base mineral, com notas marcantes de laranja, jasmim e pétalas de rosa, mais suave, delicado, com um equilíbrio notável e um balanço que varia entre outras anotações. Uma maior profundidade, um início mais forte, e um final que prefigura tratamento cítrico. Primordialmente, o doce, que os rosés têm sempre como comprimento de onda, e depois, a pimenta. Este segundo com uma forte tendência gastronómica, sobretudo com peixe e doces mais amargos, como uma musse de chocolate negro, integrada de frutos secos tostados em sal.
Duas hipóteses que se complementam. Enquanto o primeiro termina em fósforo, com o vegetal a subir na escala da prova, o segundo termina mais doce, com o florado de aromas de fruta na sua confirmação de fermentação rápida, o que faz com que ambos tenham um comportamento mais do que digno, preços semelhantes e muito competitivos, e com uma categoria e complexidade suficientes para se destacarem naquela gama. Se a segunda hipótese (Sexy), demonstra um carácter mais adaptável à gastronomia, a primeira também se lhe adapta, embora de forma mais estreita. Em todo o caso, boas sugestões para acompanhar:












Peixes no forno no caso do Rosé da Herdade do Monte da Ribeira, peixes em fritura com acabamento amanteigado, no segundo caso, em ambos, carnes brancas, saladas frescas, com massa, cenoura, frango desfiado (depois de assado), rebentos de soja, alguns (os que se quiserem) frutos secos, maionese, azeite, pimenta e sal. O frango assado com fruta, mel, com aquela película tostada e uma camada de ervas frescas, e com a musse de chocolate negro. Gemas e claras separadas. As gemas batidas com açúcar, as claras ‘solamente’.O chocolate negro derretido em banho-maria, com manteiga (batidos durante três períodos de sete minutos), a que se juntam as gemas, leite (pouco), frutos secos, e as claras, depois mistura-se tudo, sem bater, com um toque de Vinho do Porto para clarear. Frigorífico durante duas horas, e está pronto a servir. São os vinhos da semana.

 

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