A boa arquitectura envolve uma dimensão de pesquisa, de
resolução de problemas e adequação. Prática empenhada envolve a comutação de
pressupostos, reformulação de estratégias, entendimento das intenções ténues
dos clientes, convocação de memórias e objectivos que passam sempre pela
compreensão do lugar, do programa, dos activos financeiros disponíveis, e da
sua regulação num escrupuloso orçamento, seguido à risca, sem desvios. A
monografia em ‘comics’ dos Bjarke Ingels Group, é sobre esse ‘utopismo
pragmático', que tanto pode incluir a construção de um edifício num lote
contíguo, com nenhuma referência espacial que influencie o desenho proposto,
como pode incluir a idealização de uma metodologia de análise, da grande para a
pequena escala, com todos os limites reservados ao estabelecimento de uma
leitura fiel daquilo que é o viver contemporâneo. Há até um projecto cuja
maqueta foi encomendada num site da Lego. O livro constitui-se assim por
imagens, desenhos e simulações sobre a arte de construir, tudo com balões, e legendas.
Tal como uma verdadeira BD. A edição inicial aconteceu a propósito da
exposição, “Yes is More – Close Up” (2009), e segue o princípio temático dado
pelo título, uma derivação do ‘Less is more’, de Mies Van der Rohe, porque
apresentam-se os percursos tidos pela equipa em cada projecto, desde a
encomenda, extrapolação e finalização, até por vezes à sua suspensão, apesar do
registo dos diferentes parâmetros e níveis da estratégia global. Se é adepto e
quer perceber como pensa um arquitecto, vale a pena perder-se nos meandros da
simetria, e da sua ausência. A qualidade da edição é muito elevada.
Título: Yes is More – Um Arqui-comic sobre a evolução
arquitectónica
Autor: Big/AS
Editora: Taschen
Tradução: Luís Manuel Gameiro Romero
Preço: €27,90
Classificação: 5 estrelas
Prós: Design gráfico; conteúdo e abordagem; clareza e ideia
Contras: Não tem

