Shaw era irlandês. Nobelizado pela sua obra em 1925, quando
já vivia do seu reconhecimento internacional, chegou à Grã-Bretanha em 1876,
com o objectivo de transformar a sociedade inglesa num estado socialista.
Fá-lo-ia empenhado numa mudança legislativa. O início da escrita desta história
coincide com a formação do que ficou conhecido como Fabian Society, uma espécie
de organização, a que reportam os seus objectivos progressistas, núcleo que
veio a servir de fundamento à criação da London School of Economics e do
partido Labour. E do que se trata? A dado momento, um homem, Sidney Trefusis,
casado há semanas com Henrietta, decide fugir de uma vida de luxo, ansioso por
voltar a uma vida de ascetismo. O desgosto faz com que Henrietta entre num
declínio emocional profundo, enquanto o ex-marido surpreende, consolidando a
sua veia de eremita e de defensor acérrimo do socialismo. Aliás, é essa a
motivação principal para enveredar por uma ‘viagem’ de austeridade – se depois
aceita o conforto, isso é outra história. O conteúdo, conhecido em 1884, é por
isso, assente numa descrição que elege o ‘herói’ como lutador contra a
pusilanimidade estabelecida: o capitalismo. A tonalidade autoral denota o tempo
(século XIX), numa narrativa centrada na humanidade e no ser social, que
confronta as convenções, ou que a estas se adapta de um modo obstinado.
Título: Um Socialista Associal
Autor: George Bernard Shaw
Editora: Quidnovi
Tradução: Jorge Almeida e Pinho
Preço: €17,99
Preço: €17,99
Classificação: 4 estrelas
Prós: O teor da narrativa, repleta de detalhes e pormenores
de um modo de escrita intemporal
Contras: Não tem
A partir desta semana, dar-se-á início à publicação da
rubrica 'Livro da semana', que passa a constar deste espaço, com a crítica
literária que permitirá a divulgação de novidades editoriais, e de outras
publicações que merecerem relevância e destaque. O texto desta semana foi
originalmente escrito para o número de Março de 2012 da revista Os Meus Livros,
que não chegou a ser impresso.

